Toy Story 5: Lições de pertencimento e vida offline

O quinto filme da franquia Toy Story, lançado pela Pixar, aborda temas como pertencimento, autoestima e a importância do brincar fora das telas. A história acompanha Bonnie, uma criança tímida que tem dificuldade para fazer amigos pessoalmente. Para ajudá-la, os pais compram um tablet infantil, que promete aumentar a vida social dos pequenos por meio de chats e jogos em uma rede social.
Bonnie logo faz três amigas online, mas elas consideram brincar com bonecos algo infantil. Com medo de sofrer bullying, a personagem de oito anos deixa de lado os brinquedos como Jessie e Buzz para se dedicar à vida digital. Diferente dos filmes anteriores, a trama não foca na disputa pelo posto de brinquedo favorito, mas na necessidade de salvar a criança para que ela não viva uma infância no modo automático das telas.
Autoestima e valor próprio
O personagem Woody passa por uma mudança. Antes, ele buscava validação externa e disputava a atenção do dono Andy para se sentir valorizado. No novo filme, Woody parece ter alcançado a liberdade de saber o próprio valor. Ele decide viver com os amigos e ajudar outros brinquedos por sentir alegria em ser útil, sem precisar de legitimação alheia. A lição é sobre construir uma autoestima de dentro para fora, sem depender do quanto se é valioso para o outro.
Aceitação das mudanças
Jessie retorna à casa onde viveu com a antiga dona e revive o medo do abandono. Ao correr para a árvore onde brincavam, ela descobre uma caixa com fotos enterrada. As imagens revelam que sua antiga dona deu à filha o nome de Jessie em sua homenagem. A personagem entende que as mudanças fazem parte da vida e que as relações podem se distanciar, mas isso não apaga os momentos de alegria. A despedida pode ser difícil, mas também pode ser bonita e cheia de gratidão.
Identidade e pertencimento
Bonnie esconde seus gostos pessoais para ser aceita pelas novas amigas, adotando interesses que não lhe trazem felicidade. A leveza da personagem é substituída por uma apatia causada pela vida digital e pela busca de aprovação. É a amizade com Blaze, baseada em afinidades reais e sem julgamentos, que a faz retornar à própria essência. A mensagem é que uma única amizade de qualidade vale mais do que relações rasas que afastam a pessoa de si mesma.
Brincar transforma
Uma cena mostra Jessie apertando botões em um jogo de tablet, uma atividade que entretém, mas é mecânica. Em outra cena, Bonnie pega os brinquedos e usa a imaginação para criar uma narrativa, experimentando sensações e expandindo a realidade. O filme não cria uma guerra contra a tecnologia, mas lembra que ela deve ser usada com equilíbrio, e não como mediadora da vida humana. A pergunta central é se as melhores lembranças foram construídas diante de uma tela.
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