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Natal Amargo: 4 lições de Almodóvar para superar crises

Por Romances e Leituras · · 2 min de leitura
Natal Amargo: 4 lições de Almodóvar para superar crises
(Divulgação) O luto não desaparece porque foi ignorado

O novo filme de Pedro Almodóvar, "Natal Amargo", aborda o luto e a criação artística como ponto de partida para uma reflexão sobre trabalho, sofrimento e transformação. A obra, que estreou no Brasil no mês passado, venceu o prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Cannes.

O longa acompanha Elsa (Bárbara Lennie), uma diretora de publicidade que perde a mãe em dezembro e, em vez de parar, acelera o ritmo de trabalho. O filme mostra que o luto não desaparece quando é ignorado. Em paralelo, o cineasta Raúl Durán (Leonardo Sbaraglia) enfrenta um bloqueio criativo de cinco anos e decide usar as experiências das pessoas ao seu redor como matéria-prima para um novo roteiro, sem o conhecimento delas.

O filme levanta questionamentos sobre o que fazer com as perdas, onde guardar o que não se consegue sentir e quanto das escolhas são realmente próprias. A publicação Vida Simples separou quatro reflexões da obra para quem está passando por momentos difíceis.

O trabalho não é um lugar seguro para guardar o que dói

Elsa acredita que está bem, mas o luto não some porque foi ignorado. Quando ela tem um ataque de pânico após tentar seguir em frente sem sentir suas dores, o filme retrata uma situação comum a quem já precisou cumprir uma agenda no dia seguinte a uma perda. Existe uma cultura que valoriza quem segue em frente sem deixar o pessoal afetar o profissional, mas o filme mostra o que acontece quando o ritmo é mantido às custas do que deveria ter sido sentido.

Nem toda história nos pertence

Raúl encontra uma saída para o bloqueio ao observar as pessoas ao seu redor. O problema surge quando sua ex-assistente Mônica lê o roteiro e reconhece a própria vida impressa nas páginas, sem ter sido consultada. O filme não condena nem absolve o personagem, criando uma zona cinzenta para reflexão sobre quantas vezes falamos da vida alheia sem pensar que aquela história não nos pertence.

As pausas também fazem parte do caminho

Os dois personagens centrais estão em crise: Elsa perdeu a mãe e foge do ocorrido, Raúl está há cinco anos sem conseguir escrever. O filme mostra esses estados não como falhas pessoais, mas como partes inevitáveis da vida. Existe uma tendência de tratar períodos de impasse como algo a ser eliminado rapidamente, mas o espaço vazio e o tempo parado são naturais e importantes para o desenvolvimento pessoal.

Nem tudo precisa ser resolvido para seguir em frente

O filme termina sem um desfecho claro, o que pode frustrar quem esperava redenção ou ordem. Para quem está passando por algo parecido, a ausência de final feliz pode soar honesta. A vida real raramente oferece momentos de virada como nos filmes. As coisas se movem devagar, em pequenos deslocamentos que só ficam visíveis quando olhados de longe. Atravessar algo já é suficiente, não é preciso sair transformado para ter mudado alguma coisa.

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