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Milton Nascimento: 8 músicas sobre mudança e recomeço

Por Romances e Leituras · · 2 min de leitura
Milton Nascimento: 8 músicas sobre mudança e recomeço
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Uma seleção de oito músicas de Milton Nascimento foi destacada por abordar temas como mudanças, despedidas e recomeços na vida. As canções foram escolhidas para ajudar a lidar com as transformações que ocorrem ao longo do caminho.

Segundo a publicação, a obra do artista não trata a mudança como um conceito abstrato, mas como uma experiência humana concreta, feita de perda, deslocamento, memória e tempo. As músicas selecionadas cobrem diferentes fases da carreira de Milton, desde 1967 até 2024.

A primeira canção é "Travessia" (1967), que marcou a apresentação de Milton ao Brasil. A música, em parceria com Fernando Brant, fala sobre perda e continuidade. O verso "Meu caminho é de pedras" é descrito como uma constatação, e não uma metáfora. A canção sugere que seguir em frente nem sempre depende de entusiasmo, mas de necessidade.

Em "Para Lennon e McCartney" (1970), Milton afirma sua identidade latino-americana sem isolamento ou submissão. A canção é vista como uma resposta aos Beatles a partir de outro território, com orgulho racial e dimensão política. A obra não nega referências externas, mas reconhece quando elas deixam de servir como parâmetro de inferioridade.

"Nada Será Como Antes" (1972) captura o instante em que a transformação se torna irreversível. A música, de Milton, Lô Borges e do Clube da Esquina, vive na suspensão entre o presente que ainda existe e a percepção de que ele já começou a desaparecer. A canção nomeia o momento em que a ideia de permanência se mostra uma ilusão.

"Tudo O Que Você Podia Ser" (1972) trata do que deixamos de realizar, com uma tensão entre potência e limite. A música não oferece respostas, mas provoca um incômodo sobre o que o mundo impediu e o que não conseguimos sustentar. Algumas mudanças, segundo a análise, nascem da consciência do que não fomos ou atingimos.

Em "Fé Cega, Faca Amolada" (1975), Milton desloca a travessia para dentro. A composição de Ronaldo Bastos não propõe otimismo ingênuo, mas a necessidade de caminhar com convicção, mesmo em terreno instável. A verdadeira coragem, sugere a música, não está na ausência de dúvida, mas na decisão de não permitir que ela paralise.

"Ponta de Areia" (1975) narra o desaparecimento de uma ferrovia mineira. A canção, fruto da parceria com Wayne Shorter no álbum Native Dancer, transforma um acontecimento regional em uma reflexão sobre progresso, memória e apagamento. O trem que deixa de passar representa mundos interrompidos, como paisagens e rotinas.

Por fim, "Maria Maria" (1978) é descrita como uma expressão madura sobre persistir sem perder vitalidade. Originalmente criada para um balé, a canção se tornou um manifesto sobre resistência cotidiana. Milton não idealiza a força, mas reconhece sua necessidade, entendendo a resistência como uma condição exigida pela vida, e não como um estado heroico permanente.

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