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7 filmes para desacelerar e sentir a vida

Por Romances e Leituras · · 4 min de leitura
7 filmes para desacelerar e sentir a vida
Diretor: Wim Wenders

O cinema, muitas vezes, serve como uma porta de escape da realidade. Porém, há produções que fazem o caminho inverso e aproximam o espectador da própria vida. Histórias sem grandes reviravoltas, com personagens comuns lidando com dúvidas, perdas e pequenas alegrias, podem despertar percepções que passam despercebidas na rotina acelerada.

Ao acompanhar conflitos tão humanos, o público desacelera por algumas horas e encontra espaço para a introspecção. Esses filmes não oferecem respostas prontas, mas ampliam a capacidade de observar e sentir o presente. Pensando nisso, a Vida Simples selecionou sete produções que mostram beleza no cotidiano e revelam que a profundidade da vida está, muitas vezes, nas histórias mais simples.

‘Dias Perfeitos’ (2023), dirigido por Wim Wenders, acompanha Hirayama (Koji Yakusho), um faxineiro de banheiros públicos em Tóquio. Sua rotina é sempre a mesma: acordar no mesmo horário, ouvir fitas cassete no carro, fotografar árvores e almoçar sozinho no parque. Longe de ser uma prisão, essa vida é filmada como uma forma de presença. O filme não explica o passado do personagem, e a lacuna é proposital. A obra explora o conceito japonês de komorebi, a luz do sol filtrada pelas folhas das árvores, uma beleza que só existe para quem olha com atenção. Onde assistir: MUBI.

‘Nomadland’ (2020), de Chloé Zhao, mostra Fern (Frances McDormand), que perdeu o emprego e a cidade onde vivia após o fechamento de uma empresa. Ela compra uma van e passa a viver em trânsito pelos Estados Unidos. O filme tem tom quase documental, com nômades reais interpretando a si mesmos. A vida de Fern é uma resposta ao colapso econômico e também uma escolha. A diretora não romantiza nem condena o estilo de vida, apenas convida o espectador a enxergar as incertezas como parte da vida. Onde assistir: Disney+.

‘Frances Ha’ (2012), de Noah Baumbach, é estrelado por Greta Gerwig, que também coescreveu o roteiro. Frances tem 27 anos, mora em Nova York e trabalha como dançarina sem conseguir uma promoção. Filmado em preto e branco, o longa tem ritmo mais lento e não transforma a protagonista em objeto de admiração ou pena. A trama aborda a distância entre a vida que se imaginava ter e a que se está vivendo, sem glamorizar o caos ou moralizar sobre ele. Onde assistir: MUBI.

‘Lost in Translation’ (2003), de Sofia Coppola, se passa em Tóquio. Bob Harris (Bill Murray) está na cidade para um comercial de uísque, e Charlotte (Scarlett Johansson) acompanha o marido a trabalho. Ambos se sentem deslocados e insones. A conexão entre eles é construída de forma sutil, sem seguir o padrão dos filmes de romance. Eles se encontram em um momento de transição, e isso é o suficiente para o que precisam naquele período. Onde assistir: Apple TV+ e Amazon Prime Video.

‘Drive My Car’ (2021), de Ryusuke Hamaguchi, é baseado em um conto de Haruki Murakami. O ator e diretor Yusuke Kafuku perde a esposa e, meses depois, vai ensaiar uma peça em outra cidade. Ele é levado ao trabalho por uma motorista que mal conhece. As conversas dentro do carro se tornam o espaço onde o luto começa a ser processado. As cenas mais densas acontecem no automóvel em movimento, um local sem escapatória para o que é dito. Onde assistir: MUBI e Amazon Prime Video.

‘Aftersun’ (2022), de Charlotte Wells, acompanha Sophie, de 11 anos, em férias com o pai, Calum (Paul Mescal), em um resort na Turquia. Anos depois, adulta, ela revisita gravações em MiniDV e tenta entender o que acontecia com o pai naquela época. O filme, estreia da diretora, opera em duas linhas do tempo e comunica mais pelo que omite. A infância é mostrada com a textura imprecisa da memória, e os silêncios do pai carregam um peso que a câmera da menina não captava. Onde assistir: MUBI e Amazon Prime Video.

‘Dor e Glória’ (2019), de Pedro Almodóvar, tem Antonio Banderas como Salvador Mallo, um cineasta veterano que não consegue mais trabalhar. Entre dores físicas, bloqueio criativo e lembranças da infância pobre na Espanha, o personagem é um alter ego do diretor. O filme é mais contido que outros trabalhos de Almodóvar e organiza a vida do protagonista em torno de perdas acumuladas. A proposta é que entender a própria origem e o custo da trajetória pode ser o caminho para recomeçar. Onde assistir: Amazon Prime Video e Apple TV+.

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