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Brasil: Força e Originalidade no Mapa-Múndi

Por Romances e Leituras · · 2 min de leitura
Brasil: Força e Originalidade no Mapa-Múndi
Brasil: Força e Originalidade no Mapa-Múndi

O Brasil se prepara para mais uma Copa do Mundo, e o evento, mais uma vez, coloca o país diante de um espelho. A cada quatro anos, milhões de brasileiros se unem para torcer pela seleção, mas também se veem refletidos em uma imagem que pode ser de confiança ou de dúvida. Em 1958, o cronista Nelson Rodrigues definiu esse sentimento como "complexo de vira-latas", uma sensação de inferioridade que, segundo ele, desapareceria com a conquista do título.

O jornalista Claudio Leal, doutor pela ECA-USP, aponta que a principal virtude do Brasil é a convivência de contradições. De um lado, uma cultura popular de alto nível, que é exportada sem o "vira-latismo". De outro, um cotidiano marcado por problemas políticos, desigualdade e violência. Essa dualidade é o que o país tem a oferecer ao mundo.

Exemplos dessa exportação cultural são variados. No cinema, "Ainda Estou Aqui" venceu o Oscar de melhor filme internacional, e "O Agente Secreto" foi indicado em diversas categorias, com vitória no Globo de Ouro. Na música, Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global. Na literatura, a escritora Ana Paula Maia é finalista do International Booker Prize. Nas artes plásticas, Marina Perez Simão aparece no ranking Hiscox Artist Top 100.

O Global Soft Power Index 2026 mostra que o Brasil subiu duas posições e está no top 30 entre 193 países. Em 2025, o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions concedeu ao Brasil o título de Creative Country of the Year, a primeira vez que um país recebe essa homenagem. Também em Cannes, o Brasil foi o País de Honra do Marché du Film. Na moda, a Granado tem dez lojas no exterior, e a Farm opera em países como EUA, França e Itália.

Esses resultados são fruto de décadas de produção cultural, criativa e simbólica. Claudio Leal afirma que a cultura brasileira de maior força ainda se baseia na combinação de elementos africanos, indígenas e ibéricos. Para ele, as artes e a indústria da beleza não podem ignorar as mudanças na sociedade e a emergência de vozes negras, indígenas, femininas e LGBTQIAPN+, que aprofundam a compreensão do que é belo e brasileiro.

Julio Ludemir, idealizador da Festa Literária das Periferias (Flup), pondera que as premiações de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho representam um Brasil particular, de dois homens brancos heterossexuais. Ele acredita que o Brasil periférico, negro e indígena tem mais chances de sucesso internacional, desde que haja políticas de Estado para promover o intercâmbio cultural. "Os estrangeiros amam o Brasil sem saber exatamente quem somos", diz Ludemir.

O historiador Marlon Marcos, professor da Unilab, lembra que a difusão internacional de elementos periféricos já aconteceu antes, com Jorge Amado e o Cinema Novo. Ele acredita que hoje se entende com mais força que a favela produz cultura, arte e filosofias. No entanto, questiona se o Brasil valoriza o que produz ou só celebra quando algo é aplaudido por outros países. "O espírito colonial ainda nos define", afirma.

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