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Brasil: Força criativa rumo ao mundo

Por Romances e Leituras · · 2 min de leitura
Brasil: Força criativa rumo ao mundo
Brasil: Força criativa rumo ao mundo

O Brasil vive um momento de destaque internacional em diversas áreas, da cultura aos negócios. Apesar das contradições internas, o país tem mostrado ao mundo sua capacidade de criar com originalidade.

No sábado, 13 de junho, às 19h (horário local), a seleção brasileira masculina de futebol entra em campo no estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, para a Copa do Mundo. O objetivo é conquistar o hexacampeonato. A cada quatro anos, a Copa serve como um espelho para o país, refletindo a autoestima nacional.

O jornalista Claudio Leal, doutor em história, teoria e crítica de cinema pela ECA-USP, afirma que a maior virtude do Brasil está em suas contradições. "Uma das maiores delas é a convivência de uma cultura popular de alto nível, capaz de ser exportada sem 'vira-latismo', com o cotidiano do horror político, da concentração de renda e da violência."

Exemplos dessa exportação cultural são recentes. No cinema, "Ainda Estou Aqui" venceu o Oscar de melhor filme internacional, e "O Agente Secreto" foi indicado em várias categorias, vencendo o Globo de Ouro. Na música, Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global. Na literatura, Ana Paula Maia é finalista do International Booker Prize. Nas artes plásticas, Marina Perez Simão está em 85º lugar no Hiscox Artist Top 100.

No ranking Global Soft Power Index 2026, o Brasil subiu duas posições entre 193 países, entrando no top 30. Em 2025, o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions deu ao Brasil o título de Creative Country of the Year. Também em Cannes, o Brasil foi o País de Honra do Marché du Film. Na moda, a Granado tem dez lojas próprias no exterior, e a Farm opera em países como EUA, França e Itália.

Julio Ludemir, idealizador da Festa Literária das Periferias (Flup), pondera que, apesar da excelência de filmes de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, "estamos falando de dois homens brancos heterossexuais, de um Brasil muito particular". Ele acredita que o Brasil periférico, negro e indígena terá mais chances de sucesso internacional com políticas de Estado para a cultura. "Os estrangeiros amam o Brasil sem saber exatamente quem somos", diz Ludemir. "Não sabem, por exemplo, que somos um grande país negro, que temos Conceição Evaristo, Beatriz Nascimento e Abdias do Nascimento."

O historiador Marlon Marcos, professor da Unilab, lembra que a difusão internacional de elementos periféricos já ocorreu antes, como com a literatura de Jorge Amado e o Cinema Novo. "O que acontece atualmente é que estamos entendendo com mais força que a favela produz cultura, arte e filosofias." Ele questiona se o Brasil valoriza o que produz internamente ou só celebra quando recebe aprovação estrangeira. "O espírito colonial ainda nos define, pois só nos celebramos quando somos avaliados pelo olhar estrangeiro."

Claudio Leal complementa que a projeção mundial do futebol, cinema, música, literatura e artes plásticas tem impacto na mentalidade brasileira. "Trata-se de um orgulho íntimo que nos faz pensar nas possibilidades do país."

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