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Brasil: força criativa para brilhar no mundo

Por Romances e Leituras · · 3 min de leitura
Brasil: força criativa para brilhar no mundo
Brasil: força criativa para brilhar no mundo

O Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2026, que começa no sábado, 13 de junho, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O momento reacende o debate sobre a autoimagem do país, em contraste com sua produção cultural.

Há 68 anos, o cronista Nelson Rodrigues cunhou o termo "complexo de vira-latas" para descrever a sensação de inferioridade do brasileiro. Para ele, vencer a Copa mudaria essa percepção.

Contradições tipo exportação

O jornalista Claudio Leal, doutor pela ECA-USP, afirma que o Brasil oferece ao mundo a beleza de suas contradições. Ele cita a convivência entre uma cultura popular de alto nível e problemas como violência e concentração de renda.

Exemplos recentes dessa produção incluem o Oscar de melhor filme internacional para "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles. Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global. A escritora Ana Paula Maia é finalista do International Booker Prize.

No mercado de arte, a pintora Marina Perez Simão ocupa o 85º lugar no Hiscox Artist Top 100. O Brasil subiu duas posições no Global Soft Power Index 2026, entrando no top 30 entre 193 países.

Em 2025, o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions concedeu ao Brasil o título de Creative Country of the Year. No mesmo ano, o país foi o País de Honra do Marché du Film, em Cannes.

Na moda, a Granado tem dez lojas próprias no exterior, em países como França e Estados Unidos. A Farm opera lojas nos EUA, França, Itália, Dubai, Argentina e México.

Criatividade, suor e lágrimas

Claudio Leal destaca que a cultura brasileira ainda se baseia na combinação de elementos africanos, indígenas e ibéricos. Ele ressalta que as artes e a indústria da beleza não podem ignorar as mudanças na sociedade e a emergência de vozes políticas negras, indígenas, femininas e LGBTQIAPN+.

Julio Ludemir, da Festa Literária das Periferias (Flup), pondera que as premiações de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho representam um Brasil particular, de dois homens brancos heterossexuais. Para ele, o Brasil periférico, negro e indígena terá mais chances de sucesso internacional com políticas de Estado de longo prazo.

"Os estrangeiros amam o Brasil sem saber exatamente quem somos", diz Ludemir. Ele cita que o país é um grande país negro, com nomes como Conceição Evaristo e Beatriz Nascimento.

O historiador Marlon Marcos, professor da Unilab, lembra que a difusão internacional de elementos periféricos já ocorreu antes. A literatura de Jorge Amado, nos anos 1940 e 1950, falava de uma periferia baiana. O Cinema Novo foi acusado de estetizar a pobreza para estrangeiros.

"O que acontece atualmente é que estamos entendendo com mais força que a favela produz cultura, arte e filosofias", afirma Marcos. Ele questiona se o Brasil valoriza o que produz ou só celebra quando recebe aprovação externa. "O espírito colonial ainda nos define", conclui.

Claudio Leal complementa que a projeção mundial do futebol, do cinema e da música impacta a mentalidade brasileira. "Trata-se de um orgulho íntimo que nos faz pensar nas possibilidades do país", diz, parafraseando Nelson Rodrigues sobre a "pátria de chuteiras".

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