segunda-feira, 13 de julho de 2026Noticias em tempo real
Romances e Leituras
Romances e Leituras
Notícias

Lições de 'Natal Amargo' de Almodóvar para superar dificuldades

Por Romances e Leituras · · 2 min de leitura
Lições de 'Natal Amargo' de Almodóvar para superar dificuldades
(Divulgação) O luto não desaparece porque foi ignorado

O novo filme de Pedro Almodóvar, “Natal Amargo”, aborda o luto e a criação artística como ponto de partida para uma reflexão sobre trabalho, sofrimento e transformação. A obra, que estreou no Brasil no mês passado após vencer o prêmio de melhor trilha sonora em Cannes, apresenta duas histórias paralelas.

Elsa, interpretada por Bárbara Lennie, é uma diretora de publicidade que perde a mãe em dezembro. Em vez de parar, ela acelera o ritmo de trabalho, usando a profissão como um escudo para não sentir a dor. O filme mostra que o luto não desaparece quando é ignorado e que, em algum momento, ele invade com força, como acontece com a personagem, que sofre um ataque de pânico.

Em paralelo, o cineasta Raúl Durán, vivido por Leonardo Sbaraglia, enfrenta um bloqueio criativo de cinco anos. Para superá-lo, ele decide usar as experiências das pessoas ao seu redor como matéria-prima para um novo roteiro, sem o consentimento delas. A situação se complica quando sua ex-assistente, Mônica, reconhece a própria vida no texto.

Raúl é um alter ego declarado do próprio Almodóvar. O diretor usa essa ficção dentro da ficção para levantar questões sobre o que fazemos com o que perdemos e onde guardamos o que não conseguimos sentir. O filme deixa mais perguntas do que respostas.

Lições do filme

O trabalho não é um lugar seguro para guardar o que dói

Elsa acredita que está bem, mas o luto não some por ter sido ignorado. Existe uma cultura que valoriza quem segue em frente sem deixar o pessoal afetar o profissional. O filme mostra o que acontece quando o ritmo é mantido às custas de tudo que deveria ter sido sentido.

Nem toda história nos pertence

Raúl observa as pessoas para criar, mas o problema surge quando ele expõe a vida alheia sem permissão. O filme não condena nem absolve o personagem, criando uma zona cinzenta para reflexão sobre a necessidade de falar e julgar o outro.

As pausas também fazem parte do caminho

Os dois personagens estão em crise. O filme mostra esses estados não como falhas, mas como partes inevitáveis da vida. Raúl não perdeu o talento, mas o contato com o que é real. O espaço vazio e o tempo parado são naturais e importantes para o desenvolvimento pessoal.

Nem tudo precisa ser resolvido para seguir em frente

O filme termina sem um desfecho claro, o que pode frustrar quem espera redenção ou ordem. A ausência de um final feliz é honesta, já que a vida real raramente oferece momentos de virada. Atravessar algo já é suficiente, e não é preciso sair transformado para ter mudado alguma coisa.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X

Leia também