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Brasil: Originalidade e Força no Mapa-Múndi

Por Romances e Leituras · · 3 min de leitura
Brasil: Originalidade e Força no Mapa-Múndi
Brasil: Originalidade e Força no Mapa-Múndi

Apesar de suas fraturas profundas, o Brasil nunca parou de criar com originalidade e força para alcançar um lugar ao sol no mapa-múndi. A afirmação é do jornalista Claudio Leal, doutor em história, teoria e crítica de cinema pela ECA-USP.

No sábado, 13 de junho, às 19h (horário local), quando a seleção brasileira masculina de futebol entrar no gramado do estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, milhões de brasileiros se unirão em torno de um objetivo: a conquista do hexacampeonato na Copa do Mundo. A cada quatro anos, o torneio é o momento em que milhões de brasileiros se veem num espelho, capaz de definir se o país está por cima da carne seca ou se é apenas um bando de vira-latas.

Em 1958, o cronista Nelson Rodrigues escreveu na revista Manchete Esportiva sobre o "complexo de vira-latas", definido como a inferioridade que o brasileiro se coloca voluntariamente em face do resto do mundo. Para ele, bastaria estar com o caneco em mãos para o jogo mudar.

Contradições tipo exportação

Claudio Leal afirma que a beleza nada fácil de suas contradições é o que o Brasil tem a oferecer. Uma das maiores delas é a convivência de uma cultura popular de alto nível, capaz de ser exportada sem "vira-latismo", com o cotidiano do horror político, da concentração de renda e da violência.

Exemplos dessa exportação não faltam. No cinema, "Ainda Estou Aqui" venceu o Oscar de melhor filme internacional, e "O Agente Secreto" foi indicado em diversas categorias, com vitória no Globo de Ouro. Na música, Caetano e Bethânia venceram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global. Na literatura, a escritora Ana Paula Maia está entre os seis finalistas do International Booker Prize. Nas artes plásticas, a pintora Marina Perez Simão figura em 85º lugar no Hiscox Artist Top 100.

No Global Soft Power Index 2026, o Brasil subiu duas posições na classificação geral entre 193 países e passou a figurar no top 30. Em 2025, o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions concedeu ao Brasil o título de Creative Country of the Year, a primeira vez que um país recebeu essa homenagem. Também em Cannes, o Brasil foi anunciado como o País de Honra da edição 2025 do Marché du Film.

Na área da moda e da beleza, a Granado conta com dez lojas próprias no exterior, em países como França, Inglaterra, Portugal e Estados Unidos. A Farm opera lojas nos EUA, França, Itália, Dubai, Argentina e México.

Criatividade, suor e lágrimas

Claudio Leal ressalta que a cultura brasileira de maior força ainda deve muito à combinação conflituosa, mas dinâmica, de elementos culturais africanos, indígenas e ibéricos. Segundo ele, as artes e a indústria da beleza e bem-estar não podem ficar alheias às mudanças na sociedade do consumo e à emergência de vozes políticas negras, indígenas, femininas e LGBTQIAPN+.

Julio Ludemir, idealizador da Festa Literária das Periferias (Flup), pondera que, apesar da excelência dos filmes de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, estamos falando de dois homens brancos heterossexuais. Ele acredita que o Brasil periférico, negro e indígena vai ter muito mais chances de sucesso internacional. Essas chances passam por políticas de Estado que promovam o intercâmbio cultural entre países.

O historiador e antropólogo Marlon Marcos, professor da Unilab, lembra que a literatura de Jorge Amado ganhou o mundo nos anos 1940 e 1950 falando de uma periferia baiana. Ele afirma que o que acontece atualmente é que estamos entendendo com mais força que a favela produz cultura, arte e filosofias. Fica a pergunta: o Brasil valoriza internamente o que produz ou só celebra quando algo é aplaudido por outros países? Para ele, o espírito colonial ainda nos define.

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